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05/11/2018 - Orgânicos

Alimentação e saúde na terceira idade

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ALIMENTAÇÃO E SAÚDE NA TERCEIRA IDADE

Que a terceira idade chega trazendo muitas mudanças rápidas no corpo não é novidade. O que nem todos sabem é que a alimentação de boa qualidade pode fazer uma diferença enorme na maneira como vamos viver os próximos anos das nossas vidas.
Uma alimentação boa e de qualidade é essencial em qualquer momento da vida. Hoje costumamos defender que o cuidado com o organismo de uma pessoa deve começar quando ela ainda é feto, antes dela nascer e em qualquer fase da vida. Mas é claro que ao se falar de pessoas mais velhas, temos que ter cuidados especiais.
O ritmo mais lento para as mesmas atividades de antes significa que estamos gastando menos energia e assim propiciando acúmulo de gorduras nos órgãos e tecidos. Só isso já justificaria uma mudança imediata no tipo de alimento.
O paladar no envelhecimento se altera e passa a ser menos apurado e os idosos têm menos salivação e isso vai levando as pessoas a terem menos apetite e se satisfazerem com comidas rápidas e industrializadas ricas em aditivos, conservantes e realçadores alimentares, justo quando a necessidade de alimentos de verdade, aqueles livres de qualquer malefício, se faz tão necessária, para um organismo que necessita de boas fontes de nutrientes biodisponíveis. Por isso, comer frutas ou legumes sem agrotóxico faz uma grande diferença.
Dra. Maluh Barciotte, bióloga, doutora em Saúde Pública, pós doutorada em Escolhas Alimentares, pela Faculdade de Saúde Pública da USP descreve muito bem essa necessidade em um artigo publicado recentemente.
A gente vive numa cultura que eu chamo de “cultura da normose”. É a patologia da normalidade. É tudo aquilo que a gente faz o tempo todo, que parece normal, mas é uma doença. Acha-se normal uma pessoa depois dos 50 anos tomar remédio só que a gente sabe que não é natural. Na realidade cada vez mais se prova que muitas doenças, inclusive as doenças que a gente chama de doenças crônicas não transmissíveis, como pressão alta, colesterol, obesidade, diabetes, são doenças do estilo de vida. As pessoas acham que são doenças do envelhecimento, mas não são, elas aparecem devido ao estilo de vida que as pessoas adotaram no passado e ainda insistem em manter.
Na Associação de Agricultura Orgânica a gente faz uma comparação com o solo. Por que uma pessoa fica doente? Por que está com as suas defesas, com seu sistema imunológico fragilizado e por isso para reagir precisa de remédio. Com o solo é a mesma coisa. Se ele não foi cuidado antes, e por muitos anos só foi explorado, ele acaba fragilizado, como se estivesse doente, e para produzir, para render alguma coisa, produzir energia, precisa de insumos, de agrotóxicos, senão não vai ser capaz de fazer nada germinar. E esses “remédios” passam para o alimento. Se eu como mal, se me alimento de industrializados, se como muitos produtos embutidos, se no meu cardápio diário tem sempre comida feita com aqueles temperos prontos, cada vez mais eu estou me entupindo de aditivos e de venenos. Com o passar dos anos é claro que tudo isso vai explodir na forma de doenças. Por isso é importante que a alimentação seja cada vez mais natural.
Realmente é difícil imaginar que principalmente as pessoas idosas vão mudar de hábitos de hora para outra, e o preço ainda pode ser num primeiro momento um impeditivo, mas existem várias coisas que podem ser mudadas sem grande custo, basta querer e se conscientizar. Por exemplo as hortas caseiras. A pessoa pode começar a ter os seus vasinhos com tempero em casa. Quanto mais a gente absorve alimentos de qualidade, mais a nossa vida vai sendo alterada em qualidade em várias outras coisas, as vezes de uma maneira sutil que a gente demora para perceber. E os benefícios então, vão muito além do alimento cultivado em casa, mas o tempo e o cuidado para com ele antes de estar no prato, essa pequena mudança transforma vidas, proporcionando uma longevidade positiva nessa qualidade de vida.
A comida de verdade e principalmente a comida orgânica, sem transgênicos, é produzida por agricultura familiar. Muitas pessoas não sabem, mas 70% dos alimentos que são consumidos em todas as cidades são produzidos por agricultura familiar, por pequenos agricultores e por isso temos que valorizá-los. A alimentação orgânica tem que deixar de ser considerada um privilégio das elites, para ser um direito de toda a população.
Antigamente as pessoas aprendiam as receitas de família com suas avós e isso nunca se fez tão necessário a uma geração que ama praticidade e coloca mil e uma desculpas na falta de tempo. Os idosos têm mais tempo e acabam se tornando consumidores para a sua própria saúde, e podem ser grandes orientadores, pois possuem uma cultura e um aprendizado que livro nenhum explica. Onde há comida de verdade, há saúde, e saiba que alimentos orgânicos melhoram em pouco tempo o desempenho de qualquer organismo debilitado pelo tempo.
E quais os benefícios que eles têm ao se dedicarem a esse tipo de alimentação? Abaixo segue uma lista disponibilizada por essa Dra. que tenho como referência e recomendo:

– As frutas têm sabor acentuado e ajudam o idoso a não perder o paladar;
– A Castanha do Pará e os cereais integrais (arroz integral, aveia, trigo etc) contêm zinco, importante para aumentar a sensibilidade do paladar e estimular o apetite;
– Farinhas integrais melhoram a digestão e previnem a flatulência;
– As frutas, verduras e legumes sem agrotóxico têm mais de nutrientes e evitam as deficiências nutricionais, comuns entre idosos;
– Substituir o sal por ervas naturais ou pelo gersal (gergelim + sal) alivia o inchaço e tira o sódio do organismo;
– Gergelim, brócolis, folhas verde-escuras, linhaça, são fontes de cálcio. Grão de bico, banana, gergelim, castanha do Pará são fontes de magnésio.
– Bebidas alcoólicas e café, chá preto e refrigerantes com muita frequência são ladrões de cálcio;
– As fibras do farelo de aveia ajudam na hora de manter os bons níveis de colesterol
– As fibras dos integrais, trigo, farelo, dos brotos de feijão e alfafa, do bagaço de laranja previnem a prisão de ventre e o câncer de intestino;

Nunca deixe de pensar na necessidade de se priorizar, priorizar sua saúde, a saúde daqueles que se dedicaram, ou se dedicam a você. Priorizar um plano alimentar equilibrado, aquele feito para você, onde o principal objetivo é sua máquina (corpo) funcionando da melhor forma possível para te manter saudável. Esta lista acima precisa sim, estar dentro uma boa alimentação, nas devidas proporções equilibradas com seu estilo de vida.

* Texto da Nutricionista Iara Marcondes Blanco, autora da página Sem Restrições

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