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23/04/2019 - Orgânicos

CACAU, A ORIGEM DE UM BOM CHOCOLATE

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CACAU, A ORIGEM DE UM BOM CHOCOLATE

Hummm... historicamente apreciado como um alimento de alto teor calórico para aumentar a energia em atletas e soldados, o cacau é um fruto popular proveniente das Américas Central e do Sul, produzido pelo cacaueiro, e é a matéria-prima de nosso cacau em pó, chocolate e também manteiga de cacau. Atualmente já são comprovados cientificamente alguns efeitos funcionais ligados aos seus componentes, como a redução do risco de doenças cardiovasculares e do risco de câncer, por conter flavonoides, compostos altamente antioxidantes e anti-inflamatórios.
Nutricionalmente, em sua composição encontramos cálcio, ferro, magnésio, fósforo, potássio, zinco, cobre, manganês e selênio, além de ser uma importante fonte de compostos fenólicos. Particularmente em relação ao teor de lipídios, que estão presentes na manteiga de cacau, encontra-se uma mistura de ácidos graxos saturados e monoinsaturados. Segundo o American Heart Association, ingerir gorduras monoinsaturadas com moderação pode ajudar na redução das lipoproteínas de baixa densidade (LDL) na corrente sanguínea e aumentar os níveis de HDL, que são as lipoproteínas de alta densidade.
Além disso, alguns estudos revelam o efeito neutralizador do ácido esteárico no colesterol sérico. Um deles examinou os efeitos de uma dieta rica em manteiga de cacau (composta predominantemente por ácido esteárico) no colesterol sérico, comparando-a a três outras dietas ricas em tipos diferentes de gordura: azeite de oliva (HIPOcolesterolêmico), óleo de soja (HIPOcolesterolêmico) e manteiga de leite de vaca (HIPERcolesterolêmica). As dietas com azeite de oliva e óleo de soja diminuíram significativamente os níveis de colesterol sanguíneo (5% e 15%, respectivamente), enquanto a dieta rica em manteiga de leite de vaca aumentou os níveis de colesterol em 8%. Em compensação, a dieta rica em manteiga de cacau não elevou os níveis de colesterol. Neste sentido, cabe discutir que apesar dos efeitos encontrados no estudo, o consumo de manteiga de leite de vaca em pequenas quantidades e dentro de uma dieta equilibrada pode trazer benefícios à saúde intestinal devido ao teor de ácido butírico, que ajuda a restaurar a integridade dos tubos intestinais e assim reduzir as inflamações. Além disso, embora tenham sido encontrados resultados favoráveis com o óleo de soja, em nosso país a maior parte destas leguminosas é transgênica, e ainda não sabemos o efeito em longo prazo do consumo deste tipo de alimento em nosso organismo. Por isso, ressalta-se a importância de diversificar o uso de óleos e gorduras em nossa dieta. Atualmente temos variedades e fácil acesso aos óleos de abacate, coco, macadâmia, linhaça entre outros, que além de fornecerem gorduras mono e poli-insaturadas, indispensáveis ao nosso organismo, possuem propriedades funcionais como ação antioxidante e anti-inflamatória.
Um dos subprodutos mais consumidos do cacau é o chocolate, destacando-se as propriedades nutricionais e funcionais do chocolate amargo, que além de conter a manteiga de cacau, possui maior concentração deste fruto, resultando em um benefício adicional pelo conteúdo de flavonoides. Assim, além dos efeitos sobre o colesterol, este alimento pode modular o estresse oxidativo e a inflamação, e melhorar as funções das células endoteliais e, consequentemente, das funções cardiovasculares. Além disso, os flavonoides podem ser coadjuvantes terapêuticos em patologias como o câncer, condições inflamatórias, hiperglicemia e resistência à insulina.
Em uma publicação da revista Appetite foi investigado o impacto do consumo de 50g de chocolate amargo, por 3 semanas, nos níveis de estresse oxidativo mulheres e homens, em idades de 28 a 45 anos. Além disso, os pesquisadores avaliaram os níveis de HDL e LDL dos dois grupos após o consumo do chocolate. Os participantes foram orientados a não consumir outros produtos contendo cacau nesse período e consumir uma dieta com baixo teor de flavonoides. Os resultados mostraram uma melhora no perfil lipoproteico, o que pode corresponder a um efeito protetor sobre o sistema cardiovascular.
A concentração total de HDL das mulheres aumentou em relação a dos homens, já o LDL das mulheres teve uma redução comparada a dos homens. Consequentemente, sugere-se que as mulheres possuem melhor resposta dos mecanismos de defesa antioxidante contra os danos oxidativos, se beneficiando mais com o consumo de chocolate amargo em relação aos homens. Outro estudo demonstrou que o consumo de 65g de chocolate amargo por pacientes com HIV/AIDS em estado inflamatório e oxidativo foi suficiente para aumentar as concentrações de HDL-c.
Cabe enfatizar que os benefícios citados são associados principalmente à ingestão de cacau em pó 100% ou chocolate amargo. O consumo de chocolate ao leite ou branco contém quantidades muito inferiores de flavonoides (devido ao baixo teor de cacau) e podem, ainda, conter outras gorduras de adição que não a manteiga de cacau, assim, os benefícios citados não seriam aplicáveis.
Além disso, apesar dos benefícios associados à manteiga de cacau anteriormente mencionados, ressalta-se que o consumo moderado dentro de uma dieta equilibrada, individualizada, com o rodízio dos tipo de óleos e gorduras utilizados na dieta, é a melhor estratégia, pois considera a ativação de diferentes vias metabólicas e a interação e biodisponibilidade dos nutrientes, um pilar fundamental da nutrição funcional para atingirmos resultados mais favoráveis na modulação dos níveis lipídicos.

* Texto da Nutricionista Iara Marcondes Blanco, nutricionista clínica e funcional, e autora da página Sem Restrições
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